XP Investimentos é confiável? Análise completa e atualizada 

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Imagem: Elaboração própria

O mercado de investimentos brasileiro passou por uma transformação profunda nos últimos anos. Sendo a XP investimentos um dos principais agentes dessa transformação.  

Se antes investir em ações ou títulos exigia ir fisicamente a uma corretora ou banco, hoje basta alguns cliques no celular.  

Nesse cenário, a XP Investimentos se consolidou como a maior corretora independente do país, com cerca de 5 milhões de clientes e mais de R$ 2 trilhões em ativos sob gestão. 

Mas diante de tantas opções no mercado, surge uma dúvida legítima: a XP Investimentos é realmente confiável?  

Afinal, estamos falando de confiar nosso patrimônio a uma instituição financeira.  

Este artigo apresenta uma análise técnica, imparcial e atualizada sobre a solidez, regulamentação, segurança e os principais pontos de atenção sobre a XP Investimentos. 

O que é a XP Investimentos? 

A XP Investimentos foi fundada em 2001 como uma corretora independente focada em assessoria de investimentos.  

Ao longo de duas décadas, a empresa cresceu exponencialmente, tornando-se referência no modelo de distribuição de produtos financeiros com assessores especializados. 

História e evolução 

Em 2017, o Itaú Unibanco adquiriu 49,9% da companhia por R$ 6,3 bilhões, validando o modelo de negócios da XP.  

Ademais, dois anos depois, em dezembro de 2019, a XP Inc. realizou seu IPO (Oferta Pública Inicial) na Nasdaq, a bolsa de valores norte-americana, captando US$ 2,25 bilhões no que foi considerado o maior IPO de uma empresa brasileira naquela bolsa. 

Posteriormente, o Itaú segregou sua participação na XP através de uma operação societária aprovada pelo Federal Reserve e pelo Banco Central, reduzindo gradualmente sua fatia.  

Atualmente, a estrutura acionária da XP é pulverizada entre investidores institucionais globais, incluindo Dodge & Cox (8,02%), BlackRock (7,75%) e Capital Research (7,49%). 

Modelo de negócios

A XP opera em um modelo de plataforma aberta, oferecendo produtos de diversas instituições financeiras — não apenas os próprios.  

Seus principais canais de atendimento incluem assessores de investimento (modelo assessorado), plataforma digital (modelo autônomo) e gestão de patrimônio para clientes de alta renda. 

A empresa se define como “agnóstica em modelo de atendimento”, permitindo que o cliente escolha como prefere operar: de forma totalmente independente ou com suporte de um assessor. 

Tamanho da operação da XP Investimentos

Em fevereiro de 2026, a XP apresentou números que demonstram sua liderança no mercado brasileiro: 

  • Aproximadamente 5 milhões de clientes ativos 
  • R$ 2,08 trilhões em ativos totais de clientes 
  • 18 mil assessores de investimento 
  • Mais de 800 centros de investimento pelo Brasil 
  • Receita de R$ 19,5 bilhões em 2025 (crescimento de 8% ano a ano) 
  • Lucro líquido de R$ 5 bilhões em 2025 

A XP é regulamentada? 

Sim, a XP Investimentos é uma corretora de valores mobiliários devidamente registrada e regulamentada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia federal responsável por fiscalizar o mercado de capitais brasileiro.  

Sobretudo, a CVM estabelece regras rígidas de conduta, governança, transparência e compliance que todas as corretoras devem seguir. 

Os analistas da XP estão obrigados ao cumprimento de todas as regras previstas no Código de Conduta da APIMEC Brasil (Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais).  

Isso significa que recomendações de investimento precisam seguir critérios técnicos e éticos rigorosos. 

Supervisão do Banco Central 

Além da CVM, a XP também é supervisionada pelo Banco Central do Brasil (BCB) em diversas atividades, especialmente aquelas relacionadas ao XP Banco, braço bancário do grupo.  

O Banco Central regula operações de crédito, câmbio e serviços bancários, garantindo solidez patrimonial e liquidez. 

O que a regulação da CVM e BCB significa na prática para XP

A dupla regulamentação CVM e Banco Central cria camadas de proteção ao investidor. Na prática, isso significa que: 

  • A XP deve manter patrimônio líquido mínimo compatível com seus riscos 
  • Seus controles internos são auditados regularmente 
  • Operações suspeitas ou irregulares podem resultar em processos administrativos, multas ou até cassação de autorização 
  • Investidores têm canais oficiais para reclamações junto aos órgãos reguladores 

Vale destacar que estar regulamentado não elimina todos os riscos, mas estabelece padrões de governança e cria mecanismos de fiscalização e responsabilização. 

A XP investimentos é segura? 

Um ponto fundamental para entender a segurança dos investimentos é o conceito de custódia.  

Quando você compra ações, fundos imobiliários (FIIs) ou títulos públicos através da XP, esses ativos não ficam “dentro” da corretora.  

Eles ficam custodiados na B3 (bolsa de valores brasileira) ou em agentes custodiantes autorizados, sempre em seu nome. 

Isso significa que se a XP enfrentasse problemas financeiros ou até mesmo quebrasse, seus ativos de renda variável e títulos públicos permaneceriam salvaguardados, pois estão registrados na B3 em sua titularidade.  

A XP atua apenas como intermediária para compra e venda. 

Proteção pelo FGC 

Nesse contexto, para investimentos em renda fixa privada (CDBs, LCIs, LCAs, entre outros), existe a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

O FGC garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira, com teto global de R$ 1 milhão a cada período de 4 anos. 

É importante esclarecer: o FGC não protege a corretora, mas sim os investimentos em instituições bancárias emissoras de títulos de renda fixa.  

Se você comprou um CDB do Banco ABC através da XP e o Banco ABC quebrar, o FGC ressarce até o limite estabelecido.  

Caso a XP enfrente problemas, mas o banco emissor esteja saudável, seu investimento permanece intacto. 

Riscos operacionais da XP Investimentos

Embora a estrutura de custódia e o FGC ofereçam proteção significativa, existem riscos operacionais que merecem atenção: 

  • Risco tecnológico: Falhas em sistemas, instabilidades no aplicativo ou site podem impedir negociações em momentos críticos 
  • Risco de liquidez em produtos específicos: Alguns fundos ou produtos estruturados podem ter dificuldade de resgate em cenários de estresse 
  • Risco de conflito de interesse: Como distribuidora, a XP pode ter incentivos para recomendar produtos que geram maior receita para ela 

A XP deixa claro em seus materiais que se exime de responsabilidade por falhas de terceiros prestadores de serviço. Esse é um ponto de atenção, pois transfere parte do risco operacional ao cliente. 

Reclamações e problemas já registrados 

No Reclame Aqui, principal plataforma de reclamações de consumidores no Brasil, a XP Investimentos apresenta números expressivos pelo volume de clientes atendidos. 

 Entre janeiro e junho de 2025, foram registradas 4.834 reclamações respondidas. 

Principais indicadores: 

  • Taxa de resposta: 97,3% das reclamações 
  • Taxa de resolução: 85,9% dos casos 
  • Nota média dos consumidores: 6,72 (em escala até 10) 
  • Disposição de voltar a fazer negócio: 71,2% 
  • Tempo médio de resposta: 11 dias e 18 horas 

Principais tipos de reclamações: 

  • Dificuldades no encerramento de conta 
  • Falhas no aplicativo que impedem envio de ordens 
  • Cobranças de taxas consideradas abusivas 
  • Problemas com produtos de terceiros (InfinitePay, cartão de crédito) 
  • Saldo negativo não solicitado e cobranças indevidas 

Logo, é importante contextualizar que, com 5 milhões de clientes, a taxa de reclamações formalizadas é relativamente baixa.  

No entanto, a nota 6,72 indica um nível intermediário de satisfação, sugerindo que há espaço para melhorias. 

Caso controverso com a CVM (2025) 

Em outubro de 2025, a CVM rejeitou uma proposta de Termo de Compromisso apresentada pela XP Investimentos, junto com os executivos Lucas Rabechini Amaral e Fabrício Cunha de Almeida. O caso envolveu acusações de: 

  • Não apresentação de ordens de aluguel de ativos de clientes 
  • Automatização em contrato do empréstimo de ativos sem consentimento explícito do cliente 
  • Falta de diligência e lealdade em relação aos clientes, privilegiando interesses próprios 

Dessa forma, a Procuradoria Federal Especializada da CVM concluiu haver impedimento jurídico para o acordo, e o Comitê de Termo de Compromisso considerou as condutas graves. 

O Colegiado da CVM acompanhou a recomendação e rejeitou o acordo, indicando que as investigações prosseguirão. 

Mas, o que isso significa: Este caso demonstra que mesmo grandes instituições reguladas podem ter práticas questionáveis sob investigação.  

O fato de a CVM ter rejeitado o acordo por considerar as condutas graves sinaliza severidade na apuração. 

Ação judicial nos EUA (2020) 

Após seu IPO na Nasdaq, a XP foi alvo de uma ação coletiva nos Estados Unidos acusando a empresa de “violações da lei de valores mobiliários”, alegando que teria omitido fatos relevantes e apresentado declarações falsas em documentos da oferta pública.  

Porém, não foram localizadas informações atualizadas sobre o desfecho definitivo deste processo, mas ações deste tipo são comuns após IPOs e nem sempre resultam em condenação. 

XP vale a pena? Prós e Contras 

Prós 

  • Maior corretora independente do Brasil: Solidez patrimonial e escala operacional comprovadas 
  • Plataforma aberta: Acesso a produtos de múltiplas instituições, não apenas da própria XP 
  • Opções de atendimento: Flexibilidade entre assessoria profissional e investimento autônomo 
  • Regulamentação robusta: Supervisionada por CVM e Banco Central 
  • Proteção dos ativos: Custódia na B3 para renda variável e títulos públicos 
  • Cobertura do FGC: Para produtos de renda fixa dentro dos limites estabelecidos 
  • Infraestrutura ampla: Mais de 800 pontos físicos de atendimento pelo Brasil  
  • Listagem internacional: Ações negociadas na Nasdaq aumentam transparência e governança 

Contras 

  • Estrutura de custos: Corretagem para ações pode ser mais alta que corretoras digitais (a partir de R$ 4,99 em algumas operações) 
  • Reclamações sobre suporte: Nota 6,72 no Reclame Aqui indica nível intermediário de satisfação 
  • Caso sob investigação na CVM: Processo envolvendo aluguel de ativos sem consentimento adequado ainda em curso 
  • Complexidade da plataforma: Para iniciantes, pode haver curva de aprendizado 
  • Conflitos de interesse potenciais: Como distribuidora, pode priorizar produtos mais rentáveis para ela 
  • Taxa operacional adicional: Cobra 5,9% sobre corretagem, emolumentos e liquidação 

XP Investimentos é confiável ou não? 

Sim, a XP Investimentos pode ser considerada confiável sob os critérios técnicos e regulatórios fundamentais.  

A corretora está devidamente autorizada e supervisionada pela CVM e Banco Central, opera com custódia segregada de ativos na B3 e possui solidez patrimonial comprovada por seus balanços auditados e listagem na Nasdaq. 

Além disso, a estrutura de proteção ao investidor funciona: ativos de renda variável ficam custodiados em seu nome na B3, e investimentos em renda fixa privada contam com a garantia do FGC dentro dos limites estabelecidos.  

Isso significa que mesmo em um cenário extremo de falência da corretora, a maior parte dos investimentos permaneceria protegida. 

Porém, confiável não significa perfeito ou isento de riscos. O caso em investigação na CVM sobre práticas de aluguel de ativos é um ponto de atenção importante que não deve ser ignorado.  

Embora ainda não haja condenação definitiva, a gravidade apontada pelos órgãos reguladores merece acompanhamento. 

As reclamações no Reclame Aqui, embora proporcionalmente baixas considerando a base de clientes, indicam pontos de fricção na experiência do cliente, especialmente relacionados a falhas tecnológicas, dificuldades no encerramento de conta e cobranças questionáveis. 

O que as corretoras não te contam

Contextualização com o mercado

Comparando com outras grandes corretoras brasileiras, a XP está entre as mais sólidas em termos de patrimônio e volume de ativos.  

O BTG Pactual Digital, principal concorrente direto, também possui estrutura robusta e vantagens competitivas em precificação para alguns perfis.  

Corretoras digitais como Rico, Clear, Nu Invest e Inter oferecem custos operacionais menores, mas geralmente com menos opções de assessoria personalizada. 

Recomendação: Para investidores iniciantes e intermediários que valorizam assessoria profissional, plataforma completa e solidez institucional, a XP é uma alternativa válida, especialmente para quem tem patrimônio maior onde as taxas de corretagem pesam menos proporcionalmente.  

Porém, é necessário cautela pois há histórico de elevado conflito de interesse no ecossistema da corretora. 

O conflito de interesse no mercado financeiro ocorre quando a instituição ou o profissional prioriza sua rentabilidade em detrimento da do cliente. 

Para investidores mais experientes e que operam de forma autônoma, pode valer avaliar corretoras com custos menores. 

O fundamental é entender que confiabilidade não elimina a necessidade de diversificação e gestão ativa dos próprios investimentos.  

Portanto, nenhuma instituição financeira, por maior que seja, está totalmente imune a riscos operacionais. Éticos ou mudanças de mercado.

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