Rússia vs Ucrânia, ops EUA vs URSS

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Na madrugada do dia 24 de fevereiro, a Rússia iniciou sua invasão ao território da Ucrânia.

Ressalto, que essa questão entre Ucrânia e Rússia tem origens históricas centenárias. E, o interesse da Ucrânia em participar da OTAN amplificou essa problemática.

Nesse contexto, precisamos compreender o básico da geopolítica internacional, por que esse tipo de conflito ocorre?

Um país tem como objetivo primordial defender seu território. Depois disso, ele pode pensar em desenvolvimento econômico e social.

Esse ponto, vem em primeiro lugar, porque é isso que garante a sobrevivência de um país. Assim sendo, podemos citar diversos exemplos de países e impérios que não existem mais.

Porque não conseguiram proteger suas fronteiras. Como por exemplo, o império Romano, a própria, Tibete, Texas, Havaí.

A anexação de países por outros mais poderosos é comum na história e na geopolítica. Isso acontece , porque os seres humanos estão sempre buscando acumular recursos.

Dessa forma, uma das melhores formas de conseguir acesso a mais recursos (naturais, pessoas etc.), é expandir seus territórios, nem que seja a força.

No meu artigo “o que é economia”, destaco a importância da guerra como umas das principais formas de alocar e acessar recursos.

Nessa lógica, tanto a Ucrânia, quanto a Rússia estão tentando fazer isso,proteger suas fronteiras e seus recursos de alguma forma.

A Ucrânia pretendia se proteger entrando na OTAN, que é uma aliança militar chefiada pelos Estados Unidos da América.

E a Rússia está se protegendo, impedindo esse ingresso da Ucrânia a OTAN, porque ela e a Ucrânia são vizinhas e historicamente ligados.

“Mas Mauro, porque a Rússia está se protegendo, se ninguém está atacando-a?” o governo Russo atual, considera os EUA seus inimigos.

Logo, estrategicamente, não é viável ter um aliado do inimigo como vizinho. E a OTAN e os EUA, são praticamente a mesma coisa.

Guerra Fria (EUA vs URSS)

Para compreender isso com mais profundidade, acho ideal entender a origem dessa inimizade entre EUA e Rússia.

E, o porquê a Ucrânia está procurando justamente a OTAN para se aliar.

A guerra fria foi um conflito político-ideológica entre, a União das Repúblicas Socialistas Soviética (URSS)e os Estados Unidos da América (EUA)no período de 1947 a 1991.

Essa disputa possui esse nome, porque esses países (EUA e URSS) nunca se enfrentaram diretamente.

A batalha direta nunca aconteceu, porque um confronto entre esses dois países tem um potencial de destruir todo o planeta, pois, trata-se das duas maiores potências nucleares.

Nessa lógica, a disputa acabou em torno da manutenção e expansão da zona de influência dos respectivos países.

Esse conflito ideológico foi iniciado porque o governo dos Estados Unidos afirmou que a URSS tinha a intenção de expandir seu território e disseminar o comunismo pela Europa.

Nesse contexto, os Soviéticos desmentiram esse discurso, e disseram que só queriam manter sua zona de influência conquistada na 2ª guerra e que era o Estados Unidos que possuía uma postura expansionista.

Nesse cenário, os dois países se sentiram ameaçados, e tentavam interferir em outros países, com o objetivo de afastar determinado país da influência do outro.

O melhor exemplo, é o próprio Brasil, que sofreu interferência direta na década de 60 pelos EUA.

Os nortes Americanos temiam uma aproximação do governo brasileiro com a URSS, já que nessa época o Brasil estava tentando uma aproximação com a China Comunista.

Outro exemplo, mas pelo lado da União Soviética, foi oAfeganistão. A URSS contribuiu para um golpe de Estado no governo vigente no Afeganistão, pois, temia que ele se aproxima-se dosEUA.

A criação da OTAN

Nessa circunstância de guerra fria, foi criada a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Como dito antes, sendo uma aliança militar chefiada pelos Estados Unidos da América.

Assim sendo, os países buscam entrar nessa aliança como forma de proteção contra uma possível invasão ou qualquer tipo de interferência externa.

O artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte informa que os membros da aliança auxiliem qualquer membro que esteja sujeito a um ataque armado.

Na guerra fria, essa aliança militar teve o papel de conter o avança da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas expressa na imagem abaixo.

URSS
Imagem : Consciência de Investidor

Na década de 90, a URSSacabou sendo dissolvida em 15 países. Um deles é a Rússia, sendo o principal país da União das Repúblicas Socialistas Soviética.

E um dos outros, é a Ucrânia. Após o contexto histórico, fica mais claro as motivações do conflito, pois, a Ucrânia e a Rússia já foram apenas um “país”.

Além disso, a Ucrânia é dividida por conflitos internos, porque dentro de seu território há provinciais que falam russo e não reconhecem o governo atual.

No cenário atual, a Ucrânia quer se aliar ao principal rival da Rússia, mas ela vê isso como um perigo para suas fronteiras e para a retomada do seu desenvolvimento como potência mundial, já que a Ucrânia é sua vizinha.

O contexto Atual do conflito entre Ucrânia e Rússia

A Rússia foi muito impactada com o fim da URSS. Por consequência, até hoje, o país tenta recuperar seu status de potência mundial, semelhante a União Soviética.

Com isso, só a ideia da Ucrânia entrar na OTAN, faz com que Rússia parece fraca e vulnerável.

E,Vladimir Putin acredita que ele é a pessoa adequada para recuperar os status de potencial de sua nação. Portanto, a invasão na Ucrânia vai além de uma conquista de território.

É uma tentativa de recuperar o status que os russos perderem em 1991. Além de tudo, é uma tentativa de retomar um território que historicamente originou a etnia russa.

Por isso, a invasão era eminente de qualquer forma e já estava sendo planejada a meses aparentemente.

Nessas circunstâncias, a Ucrânia já sabia que era questão de tempo e oportunidade para a Rússia de Putin, tomar essa atitude.

Ela já tinha invadido a Ucrânia e anexado a Península da Crimeia em 2014. Por isso, a Ucrânia manifestou interesse em entrar na OTAN, pois essa aliança militar tem o objetivo de barrar esse tipo de atitude.

Dessa forma, não é à toa que países que eram da URSS, como República Checa, Hungria, Polónia, Bulgária, Estónia, Croácia e outros, também passaram a integra a OTAN, após seu fim.

O impacto na Europa

O que torna isso mais complexo para o restante do mundo, principalmente para a Europa. É que a Rússia é uma relevante exportadora de commodities energéticas, como gás e petróleo.

Nesse cenário, um dos países europeus mais dependentes dos russos é a Alemanha. Aproximadamente 50 % do gás natural e do petróleo consumido pelo país é da Rússia.

Além de tudo, essa porcentagem iria aumentar com a construção de mais um gasoduto que já foi finalizado.

Portanto, a Europa está praticamente com um cordão umbilical ligado a grande mãe Rússia que quase ficou mais forte com esse novo gasoduto.

Mas, em resposta, a invasão Berlim anunciou a suspensão da certificação do recém finalizado gasoduto Nord Stream 2.

E mesmo com essa dependência considerável da Rússia, a Europa se uniu com outros países para ampliar as sanções econômicas e jurídicas em cima dos russos.

Possíveis consequência econômicas do conflito

Nesse contexto, o mercado de commodities se torna extremamente volátil e incerto, a alta nos preços acaba sendo inevitável.

Já que a oferta do petróleo está ameaçada, porque a Rússia está sofrendo diversas sanções comerciais e financeiras.

E essas sanções podem gerar empecilhos comerciais na exportação de petróleo. O cenário mundial esperado é de menor oferta e uma demanda constante. Por consequência, o preço do produto sobe.

Por isso, esse conflito tem tudo para fortalecer as tendências inflacionarias globais. Pois, as commodities energéticas já estavam em patamares elevados.

A influência da guerra sobre o petróleo

O petróleo é o melhor exemplo, é uma das commodities energéticas mais importantes do planeta e a Rússia é um exportador relevante.

Devido à globalização, muito do que consumimos tem origens em regiões distintas do mundo.

Nessa lógica, a alta do preço do petróleo conforme gráfica abaixo tem um efeito dominó em praticamente todas as indústrias.

Por causa da importância de seus derivados no transporte, como a gasolina.

Petróleo Brent
Imagem : Tradingview

Se o petróleo fica mais caro, a gasolina fica mais cara. Logo, fretes marítimos e outros transportes também ficam mais caros, por fim, os produtos transportados também.

As empresas beneficiadas

Portanto, um alta de preço nesse produto pode contribuir para o aumento da inflação global. Por outro lado, as empresas que vendem esse óleo podem se beneficiar bastante nesse cenário, conforme gráfico abaixo.

Ações do setor de petróleo
Imagem : Tradingview

A Petrobras (PETR3) é uma das maiores exportadoras de petróleo do planeta e suas ações têm subido no mês de fevereiro.

Mas o destaque ficou com a petrolíferas menores, PetroRio (PRIO3) e 3R Petroleum (RRRP3). Só na semana da invasão essas empresas valorizaram, 14,48 e 20,39 %, respectivamente (cotações até o dia 4 de março).

Entretanto, essas são as preocupações e efeitos mais óbvios. Nesse sentido, há diversas consequência que ainda não podemos enxergar no longo prazo.

Consequências que ainda não podemos enxergar

Como por exemplo, a China que está “apoiando” de forma velada a Rússia, é uma nação que está crescendo a passos largos, já sendo a segunda maior economia do mundo. Mesmo rolando boatos de recessão no país asiático, sua importância no mundo provavelmente continuará crescendo.

Assim sendo, mais um grande player que também possui intenções de tomar territórios. Nesse caso, a ilha de Taiwan é o alvo, ela historicamente pertencia ao país chines.

Essa invasão na Ucrânia, também pode mostrar que os EUA estão em um momento de fragilidade em sua política externa.

Além disso, a diversas questões, a Rússia está sendo bloqueada no swift, que é um sistema de informações financeiros internacionais. Cujo os EUA detêm maior influência.

Por consequência disso, a Rússia está sendo obrigada a buscar meios alternativos para fazer transferências financeiras, já que houve exclusão de alguns bancos russos desse sistema, dificultando as transações financeiras do país.

As criptomoedas, como Bitcoin, são uma opção, mas a China também está oferecendo outro caminho para a Rússia, chamado de Cips.

Além disso, a Rússia já estava tentando desenvolver uma alternativa ao Swift desde 2014, chamado de SPFS. Esse cenário geopolítico, leva esses países, obrigatoriamente a desenvolver alternativas ao Swift.

Sendo assim, reduzindo a dependência financeira do ocidente, aparentemente, uma nova ordem financeira é questão de tempo.

Tanto, por causa dessas ambições geopolíticas da Rússia e China. Quanto, por causa da nova tecnologia blockchain em ascensão através das criptomoedas.

Por fim, meu resumo desta situação acaba por aqui, espero ter deixado tudo claro e ter contribuído com informações relevantes, qualquer dúvida ou crítica fique à vontade para comentar aqui embaixo.

Estou sempre aberto a conversas também, então me sigam no Instagram e no Linkedin.

Este post tem 4 comentários

  1. Gabriela

    Análise clara e objetiva!

  2. Tatiane Gama

    Muito bom!

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